DENGUE

Enquanto a filha Eliza participa de um intercâmbio na Austrália, Wanessa Cunha e Tarsis abriram as portas de casa, em Tupã, para receber Ben, jovem de Taiwan que chegou ao Brasil no dia 29 de julho por meio do Programa de Intercâmbio de Jovens do Rotary. Durante sua permanência no país, ele será acompanhado pelo Rotary Club de Tupã Vanuíre e ficará sob a responsabilidade legal da família anfitriã.

A participação no programa começa no Rotary da cidade, onde as famílias interessadas realizam cadastro, passam por entrevistas e participam de uma pré-seleção. Os candidatos do distrito também fazem uma prova classificatória.

Depois da definição dos estudantes e dos países de destino, jovens e responsáveis participam de um treinamento promovido pelo Rotary em Assis. A preparação aborda tanto a viagem do estudante brasileiro quanto a recepção dos intercambistas estrangeiros.

Uma das regras do programa estabelece que a família que envia um jovem para outro país também participe do acolhimento de um intercambista no Brasil. Além de receber um estudante, ela deve indicar outras três famílias anfitriãs, que dividem a experiência ao longo do ano.

No caso de Wanessa e Tarsis, além de receber Ben, eles também assumiram a responsabilidade legal pelo jovem durante o período em que ele permanecer no Brasil.

Experiências em lados diferentes do mundo

Eliza embarcou para a Austrália no dia 9 de julho. Vinte dias depois, em 29 de julho, Ben chegou à casa da família em Tupã.

Segundo Wanessa, a experiência da filha no exterior teve influência direta na decisão de receber outro jovem.

“Sempre apoiamos o sonho dela e acreditamos que os jovens merecem oportunidades que ampliem seus horizontes, promovam amadurecimento e fortaleçam valores como respeito, autonomia e empatia”, afirmou.

Para a família, acolher Ben também representa uma forma de retribuir o cuidado recebido por Eliza na Austrália.

Desde que chegou, o intercambista passou a participar normalmente da rotina da casa. Wanessa conta que ele não é tratado como hóspede, mas como um filho.

“Nossa rotina praticamente não mudou, porque fazemos por ele tudo o que sempre fizemos pela Eliza. A diferença é que agora temos a oportunidade de apresentar coisas que, para nós, são simples e fazem parte do dia a dia, mas que, para ele, são completamente novas”, disse.

As atividades cotidianas, como refeições, passeios e conversas, passaram a ser momentos de descoberta cultural. A família também ajuda Ben no aprendizado da língua portuguesa e na compreensão dos costumes brasileiros.

Para Wanessa, a experiência também trouxe a oportunidade de vivenciar a maternidade de um menino.

“Ensinar nossa língua, nossos costumes e acompanhar cada descoberta dele tem sido leve, divertido e muito enriquecedor”, afirmou.

Natação ajuda na adaptação

Ben é atleta de natação e demonstrou interesse em continuar praticando o esporte durante sua permanência em Tupã.

Com o apoio do Rotary Club de Tupã Vanuíre, foi firmada uma parceria com a Fisio Center para que o jovem pudesse realizar os treinamentos. Ele também iniciou o processo de integração à equipe de natação que representa o município.

Durante o intercâmbio, o Rotary acompanha a adaptação do estudante à família, à escola e à comunidade. O jovem conta ainda com voluntários e conselheiros responsáveis por oferecer orientações e apoio emocional ao longo do programa.

Segundo Wanessa, esse acompanhamento traz segurança tanto para o intercambista quanto para a família anfitriã.

Por que o Brasil?

Ben conheceu o Programa de Intercâmbio de Jovens por meio de um tio, que já foi presidente de um Rotary Club em Taiwan.

Segundo ele, a família apoiou sua participação e destacou que a distância entre Taiwan e o Brasil tornava a viagem uma oportunidade difícil de se repetir.

“Como o Brasil fica muito longe de Taiwan e talvez seja um lugar que uma pessoa visite poucas vezes na vida, eles consideraram que seria uma oportunidade única”, contou.

A fama dos brasileiros como pessoas acolhedoras e dispostas a ajudar também contribuiu para a decisão.

“Estou muito feliz por estar aqui, porque os brasileiros são conhecidos pela hospitalidade e pela vontade de ajudar os outros. É um ambiente ideal para fazer amigos e conhecer uma nova forma de viver”, afirmou.

Primeiras impressões de Tupã

Nos primeiros dias na cidade, Ben destacou a receptividade de Wanessa, Tarsis e dos demais integrantes da família anfitriã, além da ajuda que tem recebido para conhecer a região e se adaptar à rotina.

Ele também iniciou aulas de português e afirmou que as pessoas têm demonstrado paciência durante o processo de aprendizagem.

“Minha impressão de Tupã e do Brasil é que as pessoas são gentis, prestativas e divertidas. Como estou aqui há menos de cinco dias, ainda não conheço muito bem os lugares, mas até agora estou gostando bastante de tudo”, disse.

Durante o período em Tupã, Ben pretende estudar português, fazer amizades com outros intercambistas e aprimorar também o inglês por meio da convivência com jovens de diferentes países.

O estudante espera ainda desenvolver sua capacidade de comunicação, aprender a conviver em grupo e aumentar a autoconfiança.

Preparação e despedida da família

Antes da viagem, Ben assistiu a vídeos sobre o Brasil para conhecer aspectos do cotidiano, da cultura e das paisagens do país. Ele também acompanhou a Copa do Mundo com familiares e amigos e torceu pela seleção brasileira.

Apesar da expectativa, o momento da partida foi marcado pela tristeza de deixar a família por cerca de um ano.

“Percebi que talvez precisasse crescer, aprender a ser independente e aceitar a realidade de me despedir deles”, relatou.

Questionado sobre o que mais deseja conhecer no Brasil, Ben afirmou que ainda não definiu uma atração ou tradição específica. Uma das primeiras curiosidades, no entanto, envolve algo que ele esperava encontrar com mais frequência.

“Eu imaginava que o Brasil teria muitos insetos. Não sei se aparecem menos por causa do clima ou se realmente não existem tantos, mas tenho bastante medo deles”, contou.

Para Wanessa Cunha e Tarsis, o intercâmbio vai além da viagem e do aprendizado de um novo idioma. A experiência envolve adaptação, convivência e a criação de vínculos entre pessoas de países e culturas diferentes.

“Essa é a essência do intercâmbio: acolher, aprender, ensinar e criar laços que ultrapassam fronteiras. Hoje podemos dizer que nossa família ficou maior”, afirmou Wanessa.

*Estagiária Kamily Canola sob supervisão da jornalista Bruna de Pieri

HUM

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