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Indignados, funcionários da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) publicaram "carta aberta" à população, em repúdio às informações do prefeito José Ricardo Raymundo, durante entrevista concedida à TV Câmara de Tupã, no programa "Ponto de Vista", exibido no dia 5 de abril. Os funcionários explicaram que tiveram reunião com o prefeito, secretário Municipal de Saúde, Laércio Garcia, e vereadores para tratar sobre o possível fechamento da UPA em Tupã. "Nos foi solicitado pelo sr. prefeito que não acreditássemos em boatos, que a UPA não iria fechar, para o bem da população em geral", destacou trecho da carta. Na "carta aberta", os funcionários destacam que, indagado sobre o setor da saúde de Tupã, o prefeito, diferente do que foi informado aos servidores, ressaltou o possível fechamento da UPA "por acarretar gastos" que poderiam ser sanados. "Desta vez, não houve boatos e sim a confirmação pela própria boca do senhor prefeito, o qual diz que melhor são dois lugares atendendo bem, do que três atendendo mais ou menos", salientou a carta. Vídeo Em entrevista concedida à TV Câmara, o prefeito disse que a vinda da UPA para Tupã "foi mais um jogo político", pois a unidade deveria ter sido instalada em uma cidade com mais de 110 mil habitantes, sendo que o município possui cerca de 65 mil. O prefeito disse que o secretário Municipal de Saúde fez um diagnóstico da UPA e constatou que o governo federal repassa R$ 100 mil por mês para manter a unidade, que possui gasto de R$ 600 mil mensais. "A prefeitura coloca mais de R$ 500 mil. Queiroz, Bastos, Herculândia e Arco-Íris não mandaram nem R$ 1,00. Só que para nós, hoje, está custando caro. Estamos pensando isso (fechamento da UPA), ou lá ser um posto de saúde para atendimento", afirmou. "Eu tenho que mostrar para a população que a mudança é para melhor", acrescentou. Prefeito Em entrevista, José Ricardo Raymundo afirmou que a prefeitura não fechará a UPA. "Nossa intenção é melhorar a condição dos hospitais (Santa Casa e São Francisco) e ver o que pode ser feito com a UPA", afirmou. "A nossa maior preocupação é reduzir os custos com a saúde. A UPA dá mais custo para a prefeitura do que os hospitais. Mas nada de fechar a UPA", acrescentou. O prefeito salientou que sua equipe mantém estudos sobre o funcionamento da UPA e não descartou a possibilidade de transformar o local em um posto de atendimento. Confira a carta aberta dos funcionários na íntegra "Nós, funcionários da UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Tupã, viemos por meio desta carta aberta mostrar toda a nossa estranheza e indignação à entrevista concedida pelo Sr. Prefeito José Ricardo Raymundo (PV – Partido Verde) ao Programa Ponto de Vista, exibido pela TV Câmara – em 05 de abril de 2017, referindo-se sobre o fechamento da UPA. Nós, funcionários e colaboradores, tivemos reunião anterior com o prefeito, juntamente com o secretário da Saúde, sr. Laércio Garcia, e alguns vereadores do município, afim de que nos fosse esclarecido sobre diversas matérias que vinham saindo na mídia sobre possível fechamento da unidade e também sobre melhorias que a unidade realmente estava necessitando. Nos foi solicitado pelo sr. prefeito que não acreditássemos em boatos; que a UPA não iria fechar para o bem da população em geral; o atendimento prestado pela unidade foi elogiado; e que também seriam repostos funcionários para desafogar tais funções, no caso da enfermagem. Em uma visita anterior à Unidade, o senhor prefeito juntamente com alguns vereadores, verificou necessidades de manutenção em alguns setores e assim garantiu que melhorias e reparos seriam realizados. Porém, o mesmo comparece ao programa acima citado, em 05 de abril de 2017, e indagado sobre a saúde de Tupã, relata o possível fechamento da UPA por acarretar gastos os quais podem e deverão ser sanados. Perguntamos, então: Em qual lugar do mundo a saúde de uma população se torna gasto, ao invés de investimento? Não estamos aqui para dividir e sim somar forças. Casos ditos na reportagem, que são encaminhados aos hospitais locais, de 160 a 190 pessoas/dia. Bem, a UPA atende cerca de 160 a 200 pacientes/dia. Destes, quantos são encaminhados aos hospitais? Em percentual, aproximadamente cerca de 5% dos pacientes/dia. Desta vez não houve boatos e sim a confirmação pela própria boca do senhor prefeito, o qual diz que melhor são dois lugares atendendo bem do que três atendendo mais ou menos. Desses três lugares, realmente é a UPA que não atende bem e necessita fechar? Aqui existem famílias que têm somente essa renda para se manter. Ou será que somente os funcionários de outros lugares têm contas a pagar e se alimentar? A frase: ‘É melhor fechar a UPA que tem cerca de 70 funcionários, do que um hospital que tem cerca de 200 funcionários. Em que nos diferenciamos? Certamente, nenhum dos três lugares deve encerrar os seus atendimentos, pois isso seria uma regressão para a população. Por que os cortes precisam ser na área da saúde? Por que os 3 pilares que sempre são atingidos primeiramente são a saúde, a educação e a segurança? Acreditamos que todos os serviços hoje abertos em nosso município precisam se unir, somar as forças, cada um tem a sua extrema importância dentro da rede de atenção à saúde, dentro de suas habilidades , competências e complexidades em grau de atendimento para um bem comum: QUALIDADE NA ASSISTÊNCIA DE SAÚDE PRESTADA AOS NOSSOS MUNÍCIPES. Essa carta é para esclarecer a população e mostrar nosso total repúdio ao comentário do senhor prefeito, o qual sempre relata o alto custo da UPA, porém nunca nos foi mostrado aonde, como e de que forma é gasta essa verba. Sabemos que a atual situação do Brasil é muito difícil, porém, com essa notícia, quem irá sentir o corte na pele não será somente os funcionários e sim toda a população que depende deste atendimento. Caso ocorra o fechamento, que nós possamos saber com prévia antecedência e não simplesmente nos informarem através de uma entrevista de televisão. Conclamamos toda a população tupãense a se unir a nós funcionários e colaboradores, em um movimento a favor da vida, do respeito, da dignidade e, principalmente, da saúde. Não iremos enterrar nossa saúde em solo infértil. Não vamos nos calar diante da agonia da morte de um sonho transformado em realidade, chamado UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Tupã."

Redação Diário de Tupã

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