A jovem, que é do Paraná, sofreu um traumatismo craniano durante o passeio, precisou passar por uma cirurgia de emergência e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo.
Segundo o inquérito, Julia estava no parque acompanhada do marido, João Pedro Bossoni Dionisio, de 26 anos. Os dois fizeram o percurso da Montezum pela segunda vez por volta das 16h30.
Em depoimento à Polícia Civil, o marido relatou que a montanha-russa apresentou fortes solavancos durante o trajeto. Quando o carrinho chegou à estação, ele percebeu que Julia estava desacordada e apresentava convulsões.
A vítima recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e foi encaminhada de ambulância para a Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram um hematoma subdural na região frontal do cérebro.
Julia foi submetida a uma craniotomia de emergência para conter a hemorragia e reduzir a pressão intracraniana. Ela permaneceu cerca de 60 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou por outros procedimentos médicos antes de ser transferida para um hospital particular em Londrina, no Paraná.
Laudos e depoimentos médicos anexados à investigação apontam que foram descartadas uma malformação arteriovenosa congênita e a ocorrência espontânea de um acidente vascular cerebral (AVC). Os documentos relacionam o quadro neurológico ao trauma sofrido durante o passeio.
Atualmente, Julia permanece com limitações neurológicas. Além da perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo, ela apresenta dificuldades relacionadas à fala.
Investigação
O Ministério Público solicitou novas diligências para esclarecer as circunstâncias do caso. Entre as medidas estão uma perícia técnica no carrinho utilizado por Julia e na estrutura da Montezum, além da elaboração de um laudo indireto de corpo de delito.
A Promotoria também pediu os prontuários médicos completos dos hospitais que atenderam a jovem e informações sobre o sistema de fotografia da atração.
A investigação ainda busca esclarecer o que ocorreu durante o percurso e se houve relação entre os movimentos da montanha-russa e o traumatismo sofrido pela vítima. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal do parque.
O que diz o Hopi Hari
Em nota, o Hopi Hari informou que a Montezum possui certificação internacional de segurança emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções periódicas.
O parque afirmou ainda que realiza diariamente verificações de segurança e manutenção preventiva, incluindo equipamentos como trilhos, travas, cintos e sistemas de frenagem. Segundo a administração, a atração segue as normas técnicas aplicáveis e possui sinalizações sobre restrições médicas e orientações aos visitantes.
Sobre o caso de Julia, o parque afirmou que ela recebeu atendimento imediato após apresentar convulsões durante a segunda passagem pela atração. A administração também informou que acompanhou a família durante o atendimento e disponibilizou o seguro previsto para a situação.
*Estagiária Kamily Canola sob supervisão da jornalista Bruna de Pieri