Clubes do futebol brasileiro discutem uma possível paralisação do Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal após a proibição das casas de apostas, as chamadas bets, no país. A possibilidade vem sendo debatida principalmente entre dirigentes de equipes da Série A.
A mobilização ganhou força após o cancelamento de uma reunião prevista para terça-feira (29), em Brasília. Clubes das Séries A, B, C e D e federações estaduais haviam sido convidados para discutir com representantes do governo os impactos da medida no futebol. O encontro, porém, foi cancelado diante da baixa adesão dos dirigentes.
Entre as principais preocupações está a perda de receitas provenientes dos contratos de patrocínio com empresas de apostas. Somente entre os clubes da Série A, esses acordos movimentaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025.
Nos bastidores, dirigentes defendem a criação de um período de transição de seis meses a um ano. O prazo permitiria que os clubes buscassem novos patrocinadores, renegociassem contratos e reorganizassem seus orçamentos antes do encerramento definitivo das parcerias com as bets.
A proibição foi estabelecida por Medida Provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (25). A medida atinge a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa e, consequentemente, os patrocínios esportivos ligados ao setor. Para continuar válida, a MP ainda depende de análise do Congresso Nacional.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acompanha a movimentação, mas, até o momento, uma eventual paralisação é tratada como possibilidade, e não como decisão tomada. Caso a suspensão do Brasileirão avance, o calendário das competições nacionais poderá precisar de ajustes.
*Estagiária Kamily Canola sob supervisão da jornalista Bruna de Pieri